Solidão

V

Com o sono dos mendigos
desprovi a importância da vitória.

Jurei compor uma ode
à indiferença e à solidão.

Uma espécie de tirania
contra o fim desse repouso.

Memória, sacrifico-te
como um cavalo ferido.

Lutarei sem condução
por dias sem retorno.

Que a luz do esquecimento
vocifere meu destino.

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UM

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O que existe e sabe
bebe a própria solidão
em pétalas angustiadas.
Cada ser é a declaração
infinita do esquecimento,
terras antigas desaguadas
em filhos novos.

Nomes, datas, planos:
carne consumida pelo tempo.
Sabidas são as cicatrizes.

Brindar a face do destino,
assim os dias amanhacem
e a história entrelaça
esfinges sólidas.

Há música em bocas vazias,
cantos entoados por pedras,
chamas consumadas
nos veios de cristais.

O calor em fuga
ilumina a rachadura dos corpos
e as palavras brotam cruas
do sal escorrido na pele.