Noite

CANTO SEMINAL

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Hoje, longa noite,
após queda e ascenção
de tantas estátuas
sei que não és um túmulo
e à espreita do destino
este corpo se concentra
na névoa púrpura do tempo.

Enquanto meus cristais
forem pedras opacas
ruminarei a solidão
em dentes macios
e quando o sangue
conceber a vontade
beberão meu sumo rubro.

Hoje, longa noite,
vivem libertos
homens forjados
em mundos escuros
e por dedos curvados
segredos afiam
a lança coragem.

O difícil se tornará
ínfimo nada
fazendo o aço da carne
reluzir sob a lua
e que o lugar certo
seja sempre no agora
um excerto do futuro.

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