III

III

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Essa nossa coisa enorme
agora engole a primavera.

Isso que até aqui caminhou turvo,
remexendo-se no ventre de outras estações,
foi hoje vertido num quarto inrevolto.

Amor anterior vivido à flor da terra,
temporal lambido na seiva pisada.

Cresça densa casa de vida e cubra
os lençóis com cheiro de pele,
em parte neles viveremos
para conseguir estar de pé.

Seus olhos infantes
entre falanges numeradas
me fazem declarar que o passado
começou a nos pesar, e por isso
seguimos aliados ao rumo dos segredos.

Em silêncio, em protesto, em fúria,
sei que está aqui.

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