Filosofia

Simone Weil e a brutalidade

23269972_386478535120467_2106889329_o

“Não acreditemos que por sermos menos brutais, menos violentos, menos inumanos do que aqueles que enfrentamos, nós prevaleceremos. A brutalidade, a violência e a inumanidade, possuem um prestígio imenso que os livros escolares escondem das crianças, que os homens feitos não confessam, mas que subsiste sempre. As virtudes contrárias, para que possuam um prestígio equivalente, devem ser exercidas de maneira constante e efetiva. Qualquer um incapaz de ser tão brutal, tão violento e tão inumano quanto um outro sem, no entanto, exercer as virtudes contrárias, é inferior a esse outro em força interior e prestígio; e não resistirá diante dele.”

— Simone Weil. Œuvres complètes II, p. 117. [tradução própria]

Anúncios

F. NIETZSCHE – A GAIA CIÊNCIA / AFORISMO 84. DA ORIGEM DA POESIA

21558753_369351783499809_7111746816185169482_n.jpg

[…] “Supondo que em todas as épocas venerou-se a utilidade como a divindade suprema, de onde teria vindo a poesia? – essa ritimização da fala, que antes atrapalha do que promove a clareza da comunicação, e que, apesar disso, brotou e continua a brotar em todo lugar desse mundo, como que zombando de toda útil pertinência! […] mediante o ritmo, um pedido humano deveria inculcar mais profundamente nos deuses, depois que as pessoas notaram que a memória grava mais facilmente um verso que uma fala normal; também acreditaram que por meio do tique-taque rítmico podiam ser ouvidas a distâncias maiores; a oração ritmada parecia chegar mais perto do ouvido dos deuses. […] o ritmo é uma coação; ele gera o invencível desejo de aderir, de ceder […]. Quando era perdida a justa tensão e harmonia da alma, era preciso dançar, seguindo a cadência do cantor – era a receita dessa terapia. Melos [melodia] significa, conforme sua raiz, um calmante, não porque seja calmo em si, mas porque seus efeitos acalmam. Resumindo e perguntando: havia, para a antiga e supersticiosa humanidade, algo mais útil que o ritmo? […] sem o verso não se era nada, com o verso, quase um deus. Um sentimento assim fundamental não pode ser inteiramente erradicado – e ainda hoje, após milênios de combate a tal superstição, até o mais sábio entre nós é ocasionalmente turvado pelo ritmo. Não é divertido que mesmo os filósofos mais sérios, normalmente tão rigorosos em matéria de certezas, recorram a citações de poetas para dar força e credibilidade a seus pensamentos? – e, no entanto, uma verdade corre mais perigo quando um poeta a aprova do que quando a contradiz! Pois, como diz Homero: “Mentem demais os cantores!”.

[NIETZSCHE, Friedrich. A gaia ciência. Tradução de Paulo César Souza. São Paulo: Companhia das Letras, 2001.]

[Livro] O Avesso do Niilismo: Cartografias do Esgotamento – Peter Pál Pelbart (2013)

o-avesso-do-niilismo

PELBART, Peter Pál. O Avesso do Niilismo. São Paulo; N-1 Edições, 2013.

 > Download (80 MB) <

Sumário Avesso do Niilismo

Scan do livro “O Avesso do Niilismo”, de Peter Pál Pelbart. Destaque para a capa sensível onde impressão das mãos é registrada e, aos poucos, se esvanece (como pode ser visto no GIF acima). No PDF, linkados todos os títulos e subtítulos no formato de sumário que pode ser acessado através do leitor do arquivo. Segue a baixo uma pequena descrição da obra e suas informações técnicas.

Afinal, do que é que estamos tão esgotados, hoje? Inspirado em um vasto leque de autores, de Musil a Blanchot, de Deleuze a Agamben, de Jünger a Sloterdijk, mas também apoiado em experiências-limite extraídas de Deligny ou de algum trabalho esquizo-cênico, o livro que o leitor tem em mãos apresenta indícios, mesmo fugidios, de um deslocamento em curso. De quem? Do quê? Em qual direção? Não sabemos ao certo. É preciso imaginar uma cartografia do esgotamento que fosse uma espécie de sintomatologia molecular, como em Beckett. 

Aqui, figuras extremas como esgotamento, desastre, catástrofe, e mesmo caosmose, tangenciam pontos de afundamento onde aparecem, paradoxalmente e ao mesmo tempo, os contramovimentos do presente. É nesses pontos de inflexão que se insinuam, de maneira às vezes imperceptível, os contragolpes minúsculos, mas também as explosões multitudinárias que denunciam o que caducou (valores, estilos, problemas), ao mesmo tempo em que deixam entrever novos desejos e necessidades.

_______________________
digitalização: 300 dpi
cor: preto e branco
formato: PDF (A4)
paginação: 2 páginas por folha (horizontal)
título: O AVESSO DO NIILISMO: CARTOGRAFIAS DO ESGOTAMENTO
autor: Peter Pál Pelbart
editoran-1
isbn: 9788566943030t
idioma: Português
encadernação: Brochura
formato: 15 x 21
páginas: 592
ano de edição: 2013
edição: 1ª