Água

IV

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Ao lembrar daquela mulher
lembro da cidade onde sucumbimos
ao sangue de nossas horas.

Da revoada ao leito do mar
rugindo a garganta
da noite desperta.

No caminho de sua casa
consumíamos as calçadas
para ver raízes brotando.

Quantos impedimentos imputei,
e mesmo assim o desejo lambia
descontrolado a lâmina dos segredos.

E se havia um mar, havia um rio,
calmo como meu medo
pela fragilidade de seu corpo.

Calmo como a transformação
desse medo em um esparso
crepúsculo anil.

Em pouco tempo segui seu rastro
pelas montanhas. Soube onde
nascia aquele rio.

Escorríamos de volta.
Aquela mulher e as águas da cidade
tornaram-se a mesma coisa.

Juntos tomávamos banho
nessas águas, até que se formasse
o silêncio naquela cidade.

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