A Chuva

A CHUVA

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Há um rio no canto da rua
(brilham úmidos os postes)
amarelo refletido no chão.

Tudo agora é o ronco da noite,
pintura em ruídos selvagens.

A natureza brinca no escuro
e ainda mal temos fôlego
para entender vidas rompidas.

Palavras se perdem,
amores se cansam,
mas a crueldade do tempo
é o presente que nunca passa.

Assim, verei
nesses incontáveis
dias sinceros, o sol
morrer e nascer
sob minha pele.

Verei nesses instantes,
nossas vidas desaguando
em rios de lágrimas e rua.

Verei a história diluindo
o sangue turvo em
vontade espessa.

E pela manhã, o vento fará
nossas roupas de bandeira,
anunciando a chegada
da próxima estação.

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