Citação

O poder visionário das palavras – William Wordsworth

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O poder visionário está atento aos movimentos dos ventos invisíveis encarnados no mistério das palavras.

— William Wordsworth (O Prelúdio, Livro V)

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A disputa das eras – William Carlos Williams

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Há um antagonismo entre as eras. Cada uma deseja escravizar as outras. Cada uma deseja triunfar. É muito humano e completamente incompreensível…Se lemos sozinhos [sem escrever] ficamos convencidos de que não estamos totalmente vivos, que somos de algum modo menos que eles — os que viveram antes de nós.

Fixada em palavras — nos maiores clássicos — está a maioria, senão toda a estupidez que nos enfeitiça, que nos faz querer escrever, que nos inspira a criar. Ao ler, enquanto estamos embebidos pela sabedoria das eras, estamos ao mesmo tempo embebidos pela morte e a imbecilidade, a rudeza escravizante das eras.

Nós somos o centro da escrita, cada homem para si, mas ao mesmo tempo para sua era.

— William Carlos Williams, The Embodiment of Knowledge (1974, p. xi) [Tradução própria]

Simone Weil e a brutalidade

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“Não acreditemos que por sermos menos brutais, menos violentos, menos inumanos do que aqueles que enfrentamos, nós prevaleceremos. A brutalidade, a violência e a inumanidade, possuem um prestígio imenso que os livros escolares escondem das crianças, que os homens feitos não confessam, mas que subsiste sempre. As virtudes contrárias, para que possuam um prestígio equivalente, devem ser exercidas de maneira constante e efetiva. Qualquer um incapaz de ser tão brutal, tão violento e tão inumano quanto um outro sem, no entanto, exercer as virtudes contrárias, é inferior a esse outro em força interior e prestígio; e não resistirá diante dele.”

— Simone Weil. Œuvres complètes II, p. 117. [tradução própria]

F. NIETZSCHE – A GAIA CIÊNCIA / AFORISMO 84. DA ORIGEM DA POESIA

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[…] “Supondo que em todas as épocas venerou-se a utilidade como a divindade suprema, de onde teria vindo a poesia? – essa ritimização da fala, que antes atrapalha do que promove a clareza da comunicação, e que, apesar disso, brotou e continua a brotar em todo lugar desse mundo, como que zombando de toda útil pertinência! […] mediante o ritmo, um pedido humano deveria inculcar mais profundamente nos deuses, depois que as pessoas notaram que a memória grava mais facilmente um verso que uma fala normal; também acreditaram que por meio do tique-taque rítmico podiam ser ouvidas a distâncias maiores; a oração ritmada parecia chegar mais perto do ouvido dos deuses. […] o ritmo é uma coação; ele gera o invencível desejo de aderir, de ceder […]. Quando era perdida a justa tensão e harmonia da alma, era preciso dançar, seguindo a cadência do cantor – era a receita dessa terapia. Melos [melodia] significa, conforme sua raiz, um calmante, não porque seja calmo em si, mas porque seus efeitos acalmam. Resumindo e perguntando: havia, para a antiga e supersticiosa humanidade, algo mais útil que o ritmo? […] sem o verso não se era nada, com o verso, quase um deus. Um sentimento assim fundamental não pode ser inteiramente erradicado – e ainda hoje, após milênios de combate a tal superstição, até o mais sábio entre nós é ocasionalmente turvado pelo ritmo. Não é divertido que mesmo os filósofos mais sérios, normalmente tão rigorosos em matéria de certezas, recorram a citações de poetas para dar força e credibilidade a seus pensamentos? – e, no entanto, uma verdade corre mais perigo quando um poeta a aprova do que quando a contradiz! Pois, como diz Homero: “Mentem demais os cantores!”.

[NIETZSCHE, Friedrich. A gaia ciência. Tradução de Paulo César Souza. São Paulo: Companhia das Letras, 2001.]