IV

33687276_474805042954482_7247645492526448640_n.jpg

Ao lembrar daquela mulher
lembro da cidade onde sucumbimos
ao sangue de nossas horas.

Da revoada ao leito do mar
rugindo a garganta
da noite desperta.

No caminho de sua casa
consumíamos as calçadas
para ver raízes brotando.

Quantos impedimentos imputei,
e mesmo assim o desejo lambia
descontrolado a lâmina dos segredos.

E se havia um mar, havia um rio,
calmo como meu medo
pela fragilidade de seu corpo.

Calmo como a transformação
desse medo em um esparso
crepúsculo anil.

Em pouco tempo segui seu rastro
pelas montanhas. Soube onde
nascia aquele rio.

Escorríamos de volta.
Aquela mulher e as águas da cidade
tornaram-se a mesma coisa.

Juntos tomávamos banho
nessas águas, até que se formasse
o silêncio naquela cidade.

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s