II

Por anos os olhos de Rilke
forjaram o destino de meu rosto.
É pelo poema, mas também pela foto
que poetas existem.

Exposto num semblante,
o reflexo infinito da vida
detido pela câmera.

Em cada rosto fundado
um limbo de declarações.

Sobrevive na imagem de Trakl
um poltergeist de árvores mortas;
na de Pessoa um fantasma que bebe.

Nesses corpos paralelos
ruínas tombadas em frestas
mais rápidas que o olho nu.

Helder em metamorfose
na fumaça do cigarro agora o é
como o que não sei sobre mim.

Tratam-se de verdades essas
que só pertencem aos outros.

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