PARA QUE HAJA TEMPO

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Pintura: Francis Bacon – Três estudos de Lucian Freud (1969)

Há em mim,
para que haja tempo,
um desejo profundo
do desencontro.

E quando este se perder,
fazendo-me encontrar,
que eu esqueça o que se foi
e busque insaciável pelo
corpo que me seja próprio.

Por isso, em cada gesto
invento uma carne falsa
que sangre em todos
os que nunca lá estiveram.

Mostro o invivido aberto
em frente a um espelho
para que se possa vê-lo
de fora e dentro.

Junto ao desencontro,
para que haja ainda mais
tempo, o fracasso.

Certo horror à vitória
que guarda o manter
no lugar do criar.

E junto ao desencontro e ao
fracasso, o risco da estupidez.
Pois nada é mais desprezível
que a herança de uma vida
sem valor.

Pouco resta agora, mas
que seja dom e tempo
das coisas descobertas.

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