RUAS DESERTAS

Os flamboyans
da Monteiro Lobato
balançam enquanto
gatos de outras casas
saem para caçar.

Em uma noite
fresca como essa
podemos levitar
pelas ruas macaenses.

Desertas, calmas,
prestes a amanhecer.

Depois das prostitutas
e o cheiro de peixe,
viaduto e luzes de areia.

Sinais amarelos,
bares fechados,
letreiros escuros,
adolescentes na orla.

Ainda não basta, a água
precisa descansar.

Imboassica:
banheira e espelho
dessa noite.

Os pedalinhos
nos chamam,
mas estão trancados
como sempre.

O topo dos bares
está vazio,
lá sentamos
para nos anestesiar.

As horas saltam
e o carro desliza
pela via expressa.

No parque industrial
estamos num terreno liso
da altura de um prédio.

As luzes acesas
brilham daqui,
Detroit nunca esteve
tão perto.

Inóspito,
nenhum grito
seria ouvido.

Farol ligado,
num ritual
tudo termina.

Nessa terra
voltar é sempre
mais difícil que ir.

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