GÉRMEN

Sob o sol, acaricio a folhagem
como pelo nas costas de um animal,
a existência está viva
ruminando números e palavras
na voz de cada solução.
Vejo corpos sendo
reposta do problema.

Essa fertilidade
é adubo virando terra
e quem, afinal, tem coragem
de ser o próprio alimento? Criar raízes
respirando como guelras?

Mas não sou um peixe,
tampouco uma planta.
Sou um homem e por isso é possível
e preciso ir mais longe.

Quantos banhos de civilidade
após o nascimento primitivo.
Quem precisa de limpeza permanente,
além de seres permanentemente sujos?

Sei o que acontece
e no dia em que disser
não estarei mais aqui,
serei somente
memória do esquecimento:
saudade.

Habitarei fugaz e com frescor
os campos onde não se carrega
qualquer lembrança,
onde as pragas
(doenças da pergunta)
serão curadas
pelo plantio sem colheita
da afirmação.

Pois aqui não existem mãos
apenas pés
os órgãos que chegam primeiro
tocando sempre o mesmo lugar.

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